TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA
O estudo da transferência
e contratransferência vem da psicanálise., porém no meio escolar podemos ver
que ocorre com frequência. A transferência no contexto escolar, de acordo com Santos,
(2009) ganha vida na relação professor-aluno, reeditando, no presente, os
impulsos e fantasias marcados nos primeiros anos de vida, a partir das relações
parentais e fraternais que foram determinantes para o sujeito na sua
constituição. Pode ocorrer quando o
aluno se identifica muito com o professor, na sala de aula, e acaba
confundindo com o pai com ou com a mãe. Gostar ou desgostar de alguém que lembre outra pessoa são exemplos de transferência.
Em relação à
contratransferência, que é vivida na escola, é quando o professor
desenvolve sentimentos de simpatia por um aluno em especial. Muitas vezes essa
contratransferência acaba interferindo no desempenho escolar. O professor é uma
figura importante na vida dos alunos, exerce um papel fundamental, exigindo-se
capacidade empática.
Freud não se aprofundou muito no estudo da contratransferência.
Na escola, portanto, o professor, a
exemplo do analista, e independentemente de sua ação, pode despertar afetos no
aluno para além daquilo a que ele próprio tem noção conscientemente. O mesmo
pode acontecer ao professor, por parte do aluno. Porque esse fenômeno pode se
estabelecer nesses dois sentidos.
Freud (1914/1969), ao elaborar reflexões sobre a Educação e ao
revelar sua própria experiência como estudante, diz: "é difícil dizer se o
que exerceu mais influência sobre nós e teve importância maior foi a nossa
preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas ou a personalidade de nossos
mestres" (p. 248). Com isso podemos observar que os alunos desenvolvem
simpatias e antipatias pelo professor muitas vezes sem fundamento, na realidade
elas não existem. Também podemos perceber que muitas decisões até
profissionalmente podem ter sido influenciadas por nossos professores.
Nessa perspectiva, os professores encontram
simpatias e antipatias (amores e ódios) que pouco fizeram para merecer. Para
muitos alunos, os professores tornam-se pessoas substitutas dos primeiros
objetos de desejo e sentimentos amorosos, que eram endereçados a pais e irmãos.
Cada aluno estuda as características dos seus professores e forma - ou deforma
- as próprias características no contato com esses substitutos, diz Freud
(1914/1969).
Freud, S. (1996). A dinâmica da transferência. Obras Psicológicas
Completas de Sigmund Freud, vol. XII. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original
publicado em 1912).
Postagem
do BLOG que foi reescrita
https://taniaantoniazzi.blogspot.com/2015/11/desejo-de-saber-e-transferencia-o.html
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