segunda-feira, 17 de setembro de 2018


TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA
O estudo da transferência e contratransferência vem da psicanálise., porém no meio escolar podemos ver que ocorre com frequência. A transferência  no contexto escolar, de acordo com Santos, (2009) ganha vida na relação professor-aluno, reeditando, no presente, os impulsos e fantasias marcados nos primeiros anos de vida, a partir das relações parentais e fraternais que foram determinantes para o sujeito na sua constituição.  Pode ocorrer quando o aluno se identifica muito com o professor, na sala de aula, e acaba confundindo com  o pai com ou com a mãe. Gostar ou desgostar de alguém que lembre outra pessoa são exemplos de transferência.
Em relação à contratransferência, que  é vivida na escola, é quando o professor desenvolve sentimentos de simpatia por um aluno em especial. Muitas vezes essa contratransferência acaba interferindo no desempenho escolar. O professor é uma figura importante na vida dos alunos, exerce um papel fundamental, exigindo-se capacidade empática.
Freud não se aprofundou muito no estudo da contratransferência.
Na escola, portanto, o professor, a exemplo do analista, e independentemente de sua ação, pode despertar afetos no aluno para além daquilo a que ele próprio tem noção conscientemente. O mesmo pode acontecer ao professor, por parte do aluno. Porque esse fenômeno pode se estabelecer nesses dois sentidos.
Freud (1914/1969), ao elaborar reflexões sobre a Educação e ao revelar sua própria experiência como estudante, diz: "é difícil dizer se o que exerceu mais influência sobre nós e teve importância maior foi a nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas ou a personalidade de nossos mestres" (p. 248). Com isso podemos observar que os alunos desenvolvem simpatias e antipatias pelo professor muitas vezes sem fundamento, na realidade elas não existem. Também podemos perceber que muitas decisões até profissionalmente podem ter sido influenciadas por nossos professores.
 Nessa perspectiva, os professores encontram simpatias e antipatias (amores e ódios) que pouco fizeram para merecer. Para muitos alunos, os professores tornam-se pessoas substitutas dos primeiros objetos de desejo e sentimentos amorosos, que eram endereçados a pais e irmãos. Cada aluno estuda as características dos seus professores e forma - ou deforma - as próprias características no contato com esses substitutos, diz Freud (1914/1969).

Freud, S. (1996). A dinâmica da transferência. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. XII. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1912).
Postagem do BLOG que foi reescrita
https://taniaantoniazzi.blogspot.com/2015/11/desejo-de-saber-e-transferencia-o.html

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